Breve Apresentação

Militante comunista e homem de Estado

Ignácio de Mourão Rangel nasceu em Mirador, no Estado do Maranhão, no dia 20 de fevereiro de 1914. Desde cedo, dedicou-se aos estudos visando seguir a carreira de seu avô e seu pai (Juízes de Direito). No início dos anos de 1930, a partir das leituras de Marx e Engels, aproxima-se do Partido Comunista do Brasil (PCB). O espírito de luta conferido por seu pai, avós e tios o levam a participar, com apenas 16 anos, da “Revolução de 1930” e em seguida a inserir-se ativamente na tentativa de tomada do poder em 1935, pela Aliança Nacional Libertadora (ANL). Com a derrotada ALN, Rangel, é preso em São Luís e enviado ao Rio de Janeiro. Atrás das grades, dedica-se a estudar, as causas da derrota e também perceber que a industrialização brasileira avançava sem reforma agrária. Assim, ele, “esboçou, nos anos de cárcere, um esquema da dualidade da formação social brasileira, partindo e aprofundando a idéia da Internacional Comunista de que a revolução nos países coloniais e semi-coloniais tinha duas faces, uma antiimperialista e outra antifeudal” (MAMIGONIAN, 1997, p. 136).

Libertado em 1937, retorna a São Luís, onde retoma os estudos de Direito e passa a trabalhar na Indústria Martins Irmãos e Cia. No início de 1945, livra-se do domicílio coacto em São Luís e se especializa na tradução de romances policiais e passa a militar no PCB, na Célula Theodore Dreiser, com Graciliano Ramos, Gilberto Paim e outros intelectuais. No interior da Célula, Rangel, discordou das teses do PCB, que afirmavam que a reforma agrária era indispensável à industrialização brasileira, provocando posteriormente sua saída do partido.

Em 1950, com apoio de Rômulo de Almeida, é indicado para trabalhar na Confederação Nacional da Indústria (CNI) e “em 1952, dada a qualidade de seu trabalho e o interesse despertado pelos inúmeros artigos publicados por Rangel a partir de 1947, seu nome foi sugerido por Rômulo de Almeida ao então Presidente Vargas, que o convida para a sua Assessoria (...). Nessa assessoria, entre as inúmeras tarefas, colabora na elaboração do Projeto da Petrobrás e da Eletrobrás” (BRESSER PEREIRA; REGO, 1998, p. 16).

Após redigir sua tese da dualidade, em 1954, Rangel vai para Santiago do Chile realizar um curso de pós-graduação na CEPAL. Um ano após ingressa no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e coordena o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek. Diante dessas experiências, é convidado, em 1964, por João Goulart, para ser Ministro. Segundo Rangel (1985, p. 09), “no dia 20 de fevereiro de 1964 – 40 dias antes do Golpe de Estado (...) – o Presidente João Goulart fez-me chamar à sua presença no Palácio das Laranjeiras. Achava que já era tempo que eu assumisse maior responsabilidade no governo (...), deixava-me a vontade para escolher entre o Ministério Extraordinário do Planejamento e a Superintendência da Moeda e do Crédito: a poderosa SUMOC, atual Banco Central. Eu agradeci efusivamente a lembrança de meu nome”. Ademais, ele, negou-se, afirmando que o corpo técnico da SUMOC era subordinado a Roberto Campos.

O Golpe Militar de 1964 e o debate que se seguiu chamaram a atenção para as idéias de Rangel, pois o estagnacionismo de Celso Furtado e a busca de bodes expiatórios por Caio Prado Jr., demonstrou o esgotamento teórico de parte da esquerda. Assim, “após 1964 alguns cepalinos passaram a considerar a existência de Rangel, como foi o caso de muitos economistas, às vezes sem dar os devidos créditos e freqüentemente em misturas indigestas de idéias”.

Em 1976, Rangel, aposenta-se no BNDE, mas continua a dar consultoria ao banco até o final dos anos de 1980. Ainda no segundo lustro dos anos de 1970, intensifica-se o processo de reavaliação das importantes contribuições de Rangel para o pensamento econômico brasileiro (Bresser Pereira, Davidoff da Cruz, Mantega, Mamigonian, Bielchowski, entre outros). Processo esse que se acelera na década de 1980, a partir de dissertações e teses sob a orientação de Armen Mamigonian.

A dualidade inerente à formação social brasileira

A contribuição do pensamento de Ignácio Rangel à interpretação da realidade brasileira é muito vasta e rica, mas podemos destacar algumas de suas idéias fundamentais:

A dualidade na formação social brasileira

1) a dualidade básica da economia brasileira,

2) o papel dos ciclos longos ou Kondratieff,

3) o papel dos ciclos curtos ou de Juglar,

4) capacidade ociosa e pontos de estrangulamentos na economia

A tese das “dualidades básicas da formação social e econômica brasileira”, formulada pelo economista marxista maranhense Ignácio Rangel na década de 50, tornou-se um importante instrumental teórico para entender o Brasil.

A crise da economia brasileira, iniciada nos anos de 1980, fez emergir no cenário econômico/político idéias-força que procuravam explicar a crise a partir do plano interno pelo esgotamento do modelo se substituição as importações e do plano externo em decorrência da crise do petróleo. O receituário foi à aplicação de planos econômicos (Cruzado, Bresser e Verão) que objetivavam o combate a inflação, a estabilidade econômica e a competitividade. Em nome desse tripé, assistiu-se, nos anos de 1990, o fim da liquidez da economia, a abertura indiscriminada (Plano Collor), a sobrevalorização cambial e as privatizações (Plano Real).

Esses equívocos decorrem da falta de uma análise consistente do processo de desenvolvimento econômico, político e social do Brasil. Sobretudo, pela negligencia, por parte da intelectualidade e lideres políticos, das idéias expostas pelos grandes analistas do desenvolvimento brasileiro. Dentre eles destaca-se Ignácio Rangel. Assim, esse artigo, procura demonstrar como a teoria da dualidade brasileira de Rangel pode ser útil, não só para fazer um diagnóstico preciso sobre a presente crise, mas apontar com precisão as possíveis soluções.

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Fonte: Transcrito do 1º Encontro Sulbrasileiro de Geografia, anais, Curitiba, 2003.

 

Textos

1) Inflação Brasileira

2) A questão Financeira (baixar)

3)

4)

5)

 

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